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Foi no século passado...

Foi no século passado que concluí o último ano do meu colegial nos Estados Unidos e retornei ao Brasil, cheia de sonhos... Minha mãe me disse: “Vá dar aulas”. Claro que não fui! Desembarquei no Rio de Janeiro, cidade onde nasci, e me enveredei pelo ramo da Hotelaria, estudando História e Turismo, tudo ao mesmo tempo.

Segui firme na profissão e, em poucos anos, já integrava a equipe de Relações Públicas de alguns hotéis do eixo Copacabana-Leblon-Ipanema.

 

Quando o Brasil ganhou a sua quarta Copa, minha mãe me propôs morar novamente em Sampa, estudar alemão e preparar meu caminho para fazer minha especialização  em Neuchâtel.

De mala e cuia, lá fui eu rever a terra da garoa. Mas… os ventos sopraram em outra direção e, logo ao chegar à cidade, aceitei o convite para dar aulas de inglês para crianças – fui fisgada! Ali mesmo, me encantei pelo espaço que se constrói entre o professor e seus alunos. E não é que os conselhos da minha mãe agora pareciam fazer sentido?

 

Na primavera daquele ano, algumas boas surpresas da vida me permitiram conhecer o trabalho de uma escola infantil bilíngue, pioneira, à época, nesse setor. Muitas crianças, de todas as faixas etárias e diversos desafios. Ufa! Topei trabalhar nesse novo ambiente, e minha decisão mais acertada foi voltar a estudar. Retornei aos bancos da universidade, e nunca mais parei. 

Minha carreira de pesquisadora começou com o projeto “Autonomy – a journey to your future”, quando ainda atuava com crianças menores de 06 anos, em uma escola internacional em São Paulo. Além de uma promoção, a pesquisa sobre autonomia me valeu o convite para ser aluna da eterna mestra Alicia Fernández, com quem aprendi, ao longo dos anos, que a clínica de Psicopedagogia está em nosso olhar, não na sala de atendimento, como costumava nos dizer, sempre sorrindo.

 

Ingressei em um mundo novo e, com ele, novas dúvidas. Novas portas – e janelas – se abriram quando passei a trabalhar com pessoas que, em algum momento, ou por algum motivo, não aprendiam ou não conseguiam ensinar. Alunos, pais e professores, todos frustrados por não corresponderem às expectativas da vida escolar. Para poder trabalhar melhor, precisei buscar formas criativas de transformar obstáculos e dificuldades em oportunidades. Voltei a estudar!

 

Foi preciso olhar tudo o que eu tinha feito até então de uma nova e ainda desconhecida perspectiva. Foi preciso, de novo, recomeçar. E lá se foram quase 30 anos! Continuo, desde então, a busca pela criação de espaços onde as crianças e jovens possam exercitar, diariamente, o exercício de se construírem e se enxergarem capazes aos olhos do outro, possíveis e reais autores de seus projetos sobre si mesmos, indo além das dificuldades e pedindo ajuda.

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 Vanessa Meirelles.

Psicopedagoga pesquisadora no Núcleo de Estudos em Identidade da PUC São Paulo, vinculado ao Grupo Interdisciplinar de Pesquisa sobre Identidade Humana do CNPq.

 

Mestre em Psicologia Social pela PUC SP.

 

Membro da Associação Brasileira de Psicopedagogia - ABQ 722.

Co-fundadora da FabricAções, atua pelo Brasil desde 2013, fabricando ações nas esferas socioeconômica, socioambiental, sociocultural e socioeducacional. 

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