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Tédio. O que você faz com ele? E os seus filhos?

  • Foto do escritor: Vanessa Meirelles
    Vanessa Meirelles
  • há 4 horas
  • 2 min de leitura

Mantendo o compromisso de partilhar inquietações, o post de hoje convida a refletir sobre a crescente hiperconexão + hiperestimulação do mundo atual.


No século passado, na cidade do Rio de Janeiro , o BIQUINI CAVADÃO lançou Tédio —   o primeiro sucesso da banda com o refrão que convidava a refletir sobre o que aparentemente não tinha remédio:


“ Sentado no meu quarto    O tempo voa      Lá fora a vida passa   E eu aqui à toa    Eu já tentei de tudo   Mas não tenho remédio   Pra livrar-me desse tédio  “


Quase 50 anos depois, os nossos hábitos mudaram e pesquisas recentes nos convidam a refletir sobre um novo cenário: uma grande parcela da população brasileira passa 53,5 horas navegando pelo TikTok, por séries da Netflix e por mídias afins. A média mundial é de 33,5 horas por semana! - Seria essa uma das estratégias para evitarmos sentir tédio, atualmente? E será que isso é tão ruim quanto nos dizem?


Antes de responder, vamos considerar alguns fatos científicos:

 

  • as diferentes regiões do nosso cérebro atuam em sincronia;

  • a maneira como são ativadas permite que atuem em diversas combinações, de acordo com a demanda;

  • essas combinações, quando repetidas, geram padrões específicos e formam redes neuronais.


Funcionamos na “rede neuronal de modo padrão” (Default Mode Network)  durante metade do nosso dia — ela entra em ação durante o descanso mental entre atividades conscientes, como , por exemplo, na fila do mercado e na sala de espera do médico.


Sempre que estamos realizando atividades rotineiras, como tomar banho, lavar louça, escovar os dentes ou mesmo esperar o carro do aplicativo, nosso cérebro também entra nesse modo de funcionamento padrão e nossa conexão passa a ser com nossos pensamentos e nosso mundo interno.


Você já reparou que algumas de suas ideias mais brilhantes surgiram nessas situações? Pois não é coincidência! Há uma estreita relação entre a ativação da rede de modo padrão e a criatividade…


Porém... Com as crescentes exigências de desempenho e performance do mundo atual, é cada vez mais raro ficarmos à toa, conectados ao que se passa dentro de nós, “brisando”, como diriam os mais jovens. Hoje em dia, ficar à toa parece ser sinônimo de conexão.


Aparentemente, estamos ocupando os momentos em que a rede de modo padrão poderia entrar em cena com atividades que nos mantêm atentos aos estímulos do mundo externo. Seja no celular, na tela do computador ou na da televisão, estamos hiperconectados e hiperestimulados. Desconectados de nós mesmos? Afastados do que alimenta nosso potencial criativo?


Bom, você já tem informações suficientes para começar a pensar nas perguntas que fiz lá no início sobre as 53,5 horas semanais que gastamos conectados — talvez , para evitarmos sentir tédio.


Topa partilhar comigo?


Vanessa Meirelles


Terapeuta Pesquisadora da Identidade Humana

Mestre em Psicologia Social pela PUC São Paulo

Membro titular da Associação Brasileira de Psicomotricidade - ABP 751

Membro da Associação Brasileira de Psicopedagogia - ABPp 722


Imagem: Jayalekshman SJ


The Journey of the Default Mode Network: Development, Function, and Impact on Mental Health https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC12025022/

 
 
 

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